Newcastle em Santa Catarina acende alerta sanitário e mobiliza fiscalização nas granjas

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Foco confirmado em criação de perus levou à interdição de propriedade; doença é grave nas aves, enquanto infecções humanas são pouco comuns

A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, levou à interdição da propriedade e à suspensão da movimentação de aves. O diagnóstico foi confirmado em 18 de outubro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, após investigação epidemiológica conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial catarinense.

As amostras foram analisadas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, referência internacional no diagnóstico da enfermidade. A partir da confirmação, foram acionados os procedimentos de contenção e erradicação previstos no plano de contingência sanitária.

O estabelecimento possui aproximadamente 6 mil perus de corte. Conforme as informações divulgadas pelo ministério, as aves permaneceram na propriedade e não foram destinadas à produção de carne para consumo. As medidas anunciadas incluem o sacrifício sanitário dos animais, seguido de limpeza e desinfecção das instalações.

A vigilância também será ampliada para cerca de 133 propriedades na área de restrição, que abrange Nova Itaberaba e os municípios vizinhos de Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias. As equipes realizarão visitas, avaliações clínicas e coletas de amostras para investigar a eventual circulação do vírus.

Doença altamente contagiosa entre aves

Newcastle é uma enfermidade viral que pode atingir mais de 200 espécies de aves domésticas e silvestres. A intensidade da infecção depende de fatores como a agressividade do vírus e a suscetibilidade dos animais. Nas formas mais graves, a mortalidade pode chegar a 100% de um lote.

Entre as aves, a transmissão ocorre principalmente pelo contato com secreções respiratórias e fezes de animais infectados. O vírus também pode se espalhar por instalações, equipamentos e materiais contaminados, tornando o controle sanitário fundamental para proteger outras criações.

Os sinais podem envolver os sistemas respiratório, digestivo e nervoso. Espirros, respiração ofegante, asas caídas, pernas distendidas, torção da cabeça e do pescoço, falta de apetite e diarreia aquosa e esverdeada estão entre as manifestações associadas à infecção.

Esses sintomas, entretanto, não permitem confirmar a doença isoladamente. A avaliação veterinária e os exames laboratoriais são necessários para estabelecer o diagnóstico.

Infecção humana é pouco comum

Embora represente uma ameaça importante à saúde das aves, Newcastle apresenta um perfil diferente nas pessoas. Segundo a Embrapa, a infecção humana é pouco comum e pode ocorrer após contato direto e próximo com secreções respiratórias de animais doentes.

Quando acontece, pode provocar conjuntivite leve e passageira. A orientação é evitar o manuseio de aves suspeitas e deixar a avaliação e a coleta de materiais sob responsabilidade das equipes habilitadas.

O Ministério da Agricultura ressalta que os produtos avícolas submetidos à inspeção sanitária oficial continuam seguros para consumo.

Prevenção e comunicação de suspeitas

Não há tratamento específico para eliminar a infecção nas aves. A prevenção envolve vacinação conforme as recomendações oficiais e a orientação veterinária, limpeza das instalações e medidas para impedir o contato dos plantéis com possíveis fontes de contaminação.

Ao encontrar aves mortas ou com dificuldades respiratórias, alterações de coordenação ou torção do pescoço, o criador deve manter distância e comunicar imediatamente o Serviço Veterinário Oficial ou a secretaria municipal de Agricultura. A notificação rápida é essencial para investigar suspeitas e reduzir o risco de disseminação.

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