Educador e pesquisador do Vale do Jequitinhonha aborda racismo estrutural, educação e impactos sociais de programas governamentais
O educador, pesquisador e escritor Gil de Sá, natural do Vale do Jequitinhonha (MG), reafirma sua relevância no debate educacional e social com o lançamento de uma nova obra previsto para o mês de março. Reconhecido por suas análises críticas sobre educação, política e sociedade, o autor amplia seu alcance ao discutir temas como racismo estrutural e políticas públicas de inclusão social.
Além do lançamento, Gil de Sá avalia uma possível viagem internacional para cumprir agenda de palestras na Universidade de Baeta, em Luanda, na África, fortalecendo o intercâmbio acadêmico e cultural entre Brasil e África.
Entre seus livros de destaque está Meu Pé de Meia – Depoimentos, disponível em plataformas como Editora Dialética, Amazon, entre outras. A obra dialoga diretamente com profissionais da educação e pesquisadores ao analisar políticas públicas educacionais que atualmente ganham grande visibilidade na mídia nacional.
No livro, o autor faz uma retrospectiva histórica dos programas de transferência de renda vinculados à educação, desde o Bolsa Escola, voltado ao ensino fundamental, até sua unificação no Bolsa Família, que passou a assumir um papel social mais amplo. A análise se conecta à sua obra anterior, Bolsa Escola e os impactos sociais do programa, que destacou os efeitos dessas políticas em regiões de alta vulnerabilidade social, como o Vale do Jequitinhonha.
Concluída no final de 2025, a segunda edição do livro passou a se chamar Meu Pé de Meia, acompanhando a mudança de nomenclatura adotada pelo Governo Federal para um programa idealizado ainda no primeiro governo Lula, com concepção do professor Cristovam Buarque.
Ao longo da obra, Gil de Sá também apresenta um retrato do Vale do Jequitinhonha, evidenciando suas riquezas culturais e naturais, sem deixar de abordar as desigualdades históricas que marcam a região.
O autor classifica a pandemia da COVID-19 como um marco crítico das chamadas “décadas perdidas da educação”, destacando a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à correção da defasagem idade-série, ao combate da evasão escolar e ao enfrentamento do crescimento do analfabetismo.
O lançamento ocorre em um ano eleitoral, período em que programas sociais ganham centralidade no debate público e nas estratégias de comunicação dos governos federal e estaduais.
Embora reconheça o valor do programa Meu Pé de Meia, Gil de Sá aponta a necessidade de ajustes estruturais, defendendo maior rigor na execução, fiscalização e acompanhamento, além de questionar a priorização de investimentos apenas no ensino médio, reforçando que a base da educação brasileira está no ensino infantil e fundamental.