O pré-candidato ao governo de Santa Catarina Marcelo Brigadeiro, filiado ao Partido Missão, provocou forte repercussão nas redes sociais ao anunciar a intenção de implantar no estado um presídio de segurança extrema, batizado por ele de “Inferno Catarina”. A proposta, segundo o próprio pré-candidato, seria criar o que classifica como “a pior prisão do país”, com regras duras e condições severas para os detentos.
Em publicação feita numa rede social, Brigadeiro defendeu um modelo prisional baseado no endurecimento máximo das rotinas carcerárias. Entre as medidas citadas estão a restrição do banho de sol, a proibição do uso de temperos na alimentação e a imposição de trabalhos obrigatórios em atividades de construção civil pesada. O projeto também prevê disciplina rigorosa e punições mais severas para infrações cometidas dentro das unidades prisionais.
“O objetivo é que seja um lugar para onde ninguém queira voltar”, escreveu o pré-candidato ao justificar a proposta, que, segundo ele, teria caráter dissuasório. Na visão de Brigadeiro, o endurecimento das condições de cumprimento de pena funcionaria como um instrumento para reduzir a reincidência criminal e reforçar a sensação de segurança da população.
Natural do Rio de Janeiro, Marcelo Brigadeiro construiu notoriedade antes da política no universo das artes marciais. Mestre de Luta Livre, modalidade na qual é faixa-preta, teve carreira como lutador profissional, com participação em grandes eventos e conquistas de títulos nacionais e internacionais. Após deixar os ringues, passou a atuar como treinador e produtor de conteúdo digital, mantendo forte presença nas redes sociais.
A entrada na política marca uma nova fase de sua trajetória pública. Filiado ao Partido Missão, legenda recém-criada e ligada ao Movimento Brasil Livre, Brigadeiro aposta em um discurso de combate firme à criminalidade como um dos pilares de sua pré-campanha. A defesa de um sistema prisional mais rígido surge como um dos principais eixos de sua plataforma política.
A proposta, no entanto, já desperta controvérsias. Especialistas em direitos humanos e políticas públicas costumam alertar que modelos baseados exclusivamente no agravamento das condições carcerárias podem gerar violações de direitos, além de não apresentarem resultados consistentes na redução da criminalidade a longo prazo. Por outro lado, setores mais conservadores do eleitorado tendem a ver com simpatia discursos que prometem maior rigor contra o crime.
Com a pré-campanha em andamento, a ideia do “Inferno Catarina” coloca Marcelo Brigadeiro no centro do debate sobre segurança pública em Santa Catarina e sinaliza que o tema deverá ocupar papel central na disputa eleitoral, mobilizando apoios e críticas em igual intensidade.