Primeira caneta genérica produzida no país recebe autorização regulatória e poderá ampliar a concorrência; medicamento ainda depende da definição de preço antes de chegar às farmácias
O mercado brasileiro de medicamentos à base de semaglutida entra em uma nova fase com a aprovação da primeira caneta genérica produzida no país. Fabricado pela farmacêutica EMS, o medicamento recebeu registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), abrindo caminho para uma alternativa que poderá chegar ao consumidor por um preço inferior ao dos produtos de referência.
Apesar da autorização, a nova caneta ainda não está disponível nas farmácias. Antes da comercialização, será necessária a definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Somente depois dessa etapa a fabricante poderá avançar com a chegada do produto ao mercado.
A semaglutida tornou-se amplamente conhecida nos últimos anos por estar presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy. A substância pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1 e atua em mecanismos relacionados ao controle da glicemia, do apetite e da sensação de saciedade.
No caso do novo genérico aprovado no Brasil, a indicação é para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, associado à alimentação adequada e à prática de exercícios físicos.
Genérico pode ampliar concorrência
A classificação como medicamento genérico representa uma mudança importante. Pelas regras brasileiras, esse tipo de produto deve apresentar o mesmo princípio ativo, dose e forma farmacêutica do medicamento utilizado como referência, além de demonstrar equivalência dentro dos critérios regulatórios estabelecidos.
O registro contempla quatro apresentações de semaglutida em canetas de aplicação semanal. O medicamento deverá permanecer refrigerado, seguindo as condições específicas de armazenamento.
Uma das principais expectativas está relacionada ao preço. A legislação estabelece que medicamentos genéricos sejam comercializados com valor inferior ao produto de referência, o que pode contribuir para ampliar a concorrência e facilitar o acesso ao tratamento.
O preço oficial da nova semaglutida, entretanto, ainda não foi divulgado. Por isso, qualquer estimativa de valor permanece apenas como projeção até a conclusão das etapas regulatórias necessárias.
Fim de patente abre espaço para novos produtos
O avanço dos medicamentos nacionais ocorreu após o encerramento da exclusividade relacionada à semaglutida no Brasil, em março de 2026. A mudança abriu espaço para que outras fabricantes desenvolvessem versões do princípio ativo.
Antes do genérico, a EMS já havia obtido autorização para o Ozivy, medicamento de semaglutida sintética classificado como produto novo. A diferença regulatória é importante: apesar de utilizar o mesmo princípio ativo, o Ozivy não havia sido registrado como genérico.
Além da primeira versão genérica, outro medicamento à base de semaglutida também recebeu registro. Produzido pela Germed, empresa ligada à EMS, o Semaclique foi enquadrado como medicamento similar e também será apresentado em formato de caneta para aplicação semanal.
A entrada de novas opções tende a intensificar a disputa em um segmento que cresceu rapidamente nos últimos anos.
A ampliação da oferta, porém, não significa que a semaglutida esteja liberada para uso indiscriminado. O medicamento exige prescrição médica, e sua utilização deve ocorrer com acompanhamento profissional.
Com novos fabricantes e diferentes categorias de produtos chegando ao mercado, o cenário brasileiro da semaglutida passa por uma transformação. O próximo passo será acompanhar quando as novas canetas chegarão efetivamente às farmácias e, principalmente, qual será o impacto da concorrência sobre os preços e o acesso dos pacientes ao tratamento.
